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Novo protótipo de creme hidratante feito com restos de peixe

Escrito por em Setembro 14, 2023

Seis alunos portugueses estão em Bruxelas a apresentar um novo creme hidratante feito com restos de peixes.

Mais de 130 participantes de 36 países, apresentaram esta semana, 85 projetos que vão ser avaliados por um júri do concurso anual organizado pela Comissão Europeia para jovens cientistas (EUCYS), este ano em Bruxelas, Bélgica. Os vencedores serão conhecidos no sábado.

Portugal está representado por seis alunos, com idades compreendidas entre os 17 e os 19 anos com o ensino secundário completo, do colégio Valsassina e do colégio Luso-Francês.

Joana Monteiro, João Henriques e Margarida Leite, estudantes de Ciências no Colégio Valsassina, foram desafiados, a identificar um “problema que necessitava de ser melhorado” de acordo com as palavras do professor de biologia João Gomes.

Foi no mar que viram “uma oportunidade de trabalho” nascendo assim a ideia de criar um creme hidratante à base de colagénio extraído de restos de peixe (peles, escamas, barbatanas) que encontraram nos mercados de Lisboa.

Para a criação do protótipo do creme tiveram o apoio de cientistas do Instituto Superior Técnico, em Lisboa. Com a universidade Católica, os jovens aprenderam a identificar potenciais clientes do seu produto, desenvolver um modelo de negócio, criar uma marca, um logótipo e uma campanha promocional.

De acordo com João Gomes, o projeto permitiu aos estudantes adquirirem competências, trabalharem em equipa, e com cientistas, e terem a noção de que o “processo científico” também é feito de “erros e frustrações”.

O docente expressou o seu orgulho “Estar aqui e vê-los a apresentarem [o projeto] desta forma, ao nível dos melhores, já é um prémio”.

Afonso Nunes, Inês Cerqueira e Mário Onofre, que estudavam no Colégio Luso-Francês, estiveram a trabalhar com cientistas de um laboratório da Universidade do Minho especialista em regeneração celular.

Os alunos tiveram de ler literatura, falar com cientista e com a supervisão da professora de Biologia Rita Tocha, conseguiram pôr uma bactéria marinha a produzir fio de teia de aranha (usando a sua formulação genética) e adicionaram um gene que “induz a diferenciação de células ósseas

Como resultado uma “seda de teia de aranha com o gene que pode ser implantada em tecidos ósseos lesionados”, disse à Lusa Rita Rocha, salientando que a eficácia do material, que “não é tóxico“, será testada num próximo passo em modelos animais.

O objetivo do trabalho é “mitigar a osteoporose na população envelhecida” e a “baixa densidade óssea entre os mais novos” devido ao sedentarismo, explicou a docente.

Para o futuro, e agora como alunos universitários, Afonso Nunes, Inês Cerqueira e Mário Onofre pretendem “otimizar a produção de hidrogénio por parte da bactéria“. A ideia é aproveitar as águas dos esgotos das indústrias de conservas, um meio favorável para o seu crescimento, e estudar a forma de “aprisionar e armazenar o hidrogénio para que possa ser utilizado“.


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