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“Sim, o meu filho de 8 anos ainda dorme na nossa cama (…) Há quem discorde…”

Escrito por em Março 4, 2026

 

Pedro Chagas Freitas partilha reflexão.

Na terça-feira, dia 3 de março, Pedro Chagas Freitas recorreu às redes sociais para partilhar uma reflexão.

O escritor conta que o seu filho, Benjamim, dorme na sua cama.

Sim, o meu filho de 8 anos ainda dorme na nossa cama. E é maravilhoso, mágico, incomparável, o maior privilégio desta vida”, começou por escrever.

“Há quem discorde. Há uma tradição que defende a autonomia precoce, a independência nocturna. Não ridicularizo essa visão. Vem do desejo legítimo de preparar para o mundo. Eu acho que o mundo já é frio o suficiente. Os dados científicos dizem-no: dormir com os pais está associado a níveis mais baixos de cortisol nas crianças, a menos stress fisiológico. A presença parental regula a respiração, estabiliza o ritmo cardíaco, reforça o sentimento de segurança, faz com que o sistema nervoso infantil aprenda a acalmar-se”, acrescentou.

“A neurobiologia é menos moralista do que a opinião pública. Dormir junto cria segurança. A segurança é a base da autonomia futura. Estudos longitudinais são claros: não há correlação entre co-sleeping na infância e dificuldades de independência na adolescência ou na idade adulta. Ao contrário: as crianças que crescem com uma base segura exploram mais o mundo. A proximidade consistente gera confiança interna. A fragilidade não vem da proximidade; vem da inconsistência”, continuou.

“Muitos dizem-me que estou a prolongar algo que deveria terminar. É uma pergunta válida. Queremos todos ultrapassar marcos: deixar a fralda, deixar a chupeta, deixar a cama dos pais, deixar o mimo. Eu prefiro perguntar o oposto: e se estivermos a apressar separações? Quando sente que não precisa, a criança decide deixar a cama dos pais. Não precisa de gráficos de normalidade. Não escrevo isto para convencer ninguém. Cada família é um ecossistema particular: tem os seus ritmos, as suas necessidades. Escrevo para tentar tirar o peso nos pais que são como eu, como nós. Não há nada de errado, de doentio, de atrasado, de estranho, em permitir que um filho durma connosco. A normalidade é uma construção individual. O amor não cria fraqueza; cria estrutura. Quando o Benjamim se encosta, respira fundo e relaxa completamente, eu sei o fundamental: aquele corpo pequeno sabe que está protegido. Um dia, ele deixará de vir. Quando chegar, terei a certeza de que fomos o lugar onde ele dormia melhor”, referiu Pedro Chagas Freitas.

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