Porque é que não consumimos mais cinema português?
Escrito por Redação em Abril 5, 2023
Há quem diga que os filmes nacionais são aborrecidos. No entanto, brilham lá fora. Afinal, o que se passa?
Nos últimos anos, o cinema português tem vivido tempos transformadores.
Em 2020, a longa-metragem “Listen”, de Ana Rocha de Sousa, conquistou vários prémios no Festival de Veneza; em 2022, “Fogo-Fátuo”, de João Pedro Rodrigues, foi destacado com o Grande Prémio do Júri no Festival de Sevilha, e, este ano, “Ice Merchants”, de João Gonzalez, tornou-se o primeiro filme nacional a ser nomeado para um Óscar.
No entanto, ainda que se tenha verificado uma alteração no consumo de cinema, poucos são os portugueses que optam por ver um filme nacional, ou porque nunca tiveram esse hábito, ou porque a oferta não é aliciante o suficiente.
Não cresci a ver filmes portugueses. Aliás, ainda me lembro do primeiro que vi — “Amália”, de Carlos Coelho da Silva, de 2008. Pouco mais de uma década depois, mais precisamente durante a primeira quarentena, dei uma nova oportunidade.
“Leviano”, “Listen”, “Parque Mayer”, “Mosquito”, “Bem Bom”, “A Metamorfose dos Pássaros”, “Salgueiro Maia: O Implicado” e “O Pai Tirano”, são exemplos do que o setor audiovisual nacional tem qualidade e de que nada disto poderá ser feito sem o financiamento e os recursos necessários para a produção e divulgação dos mesmos.
Ainda que os serviços streaming, como a HBO, Netflix ou Amazon Prime Video, sejam impulsionadores, uma parte do trabalho de casa fica para os portugueses.